sábado, 21 de março de 2026

Que reflexão!!!

Chego a casa cansado.

Cansado das burocracias, dos papéis, das exigências que pouco ou nada têm a ver com as crianças.

Cansa alertar os pais.
Cansa explicar que, quando estão doentes, os miúdos precisam de ficar em casa, de recuperar, de serem cuidados.
Se sabemos isso quando somos nós… porque é tão difícil perceber quando são eles?

Cansa insistir no essencial.
Porque, no fundo, não somos nós que somos prejudicados… são as próprias crianças.

E depois há os papéis.
Documentos obrigatórios que, alguns, pouco dizem sobre aquilo que realmente fazemos, pouco mostram a nossa prática, pouco refletem o mais importante: as crianças.

Montamos uma secretária ao fundo da sala… e, sem darmos por isso, o brincar começa a desaparecer, a presença evapora-se.

Aquilo que devia ser uma profissão de afeto, de descoberta e de relação, transforma-se, por momentos, numa corrida contra o tempo e contra o sentido do Ser Criança.

Dou por mim a pensar, através do cansaço:
“Se ser educador é isto.... Então vou fazer as malas e abandono, agora, a profissão.”

Mas depois…
Recebi uma visita, um desenho, um pequeno gesto de carinho e de reconhecimento.
E, de repente, chamou-me ao que valia a pena, acreditar na infância.

Naquele papel vinha algo maior do que qualquer relatório: reconhecimento, memórias, infância, relação e respeito. 

Saio cansado? Sim, muitas vezes.
Mas percebi, mais uma vez, que o que fazemos pode não ser extraordinário, mas  valoriza o sentido de Ser Criança, o respeito, e por si só, traz-nos suor, traz-nos um trabalho árduo e uma consciência e uma intencionalidade profissional que precisa de ser relembrada. 

Não ensinei conteúdos, ajudei e fui parte da construção de aprendizagens.
Criei espaço para o pensamento.
Permiti que pudessem errar e que voltassem a tentar.
E talvez seja isso que fica.

Não ficam os papéis, as burocracias ou o tempo interminável em reuniões.
Ficam os abraços, as memórias, o sentimento de terem sido vistas, ouvidas e respeitadas.

Por isso, afinal, decidi, não vou fazer as malas, vou guardá-las.
Porque, no meio de tudo isto, continua a valer a pena ser educador. 
Continua a valer a pena defender e acreditar nas crianças. 
Pelas crianças e pela Infância, sempre. 

 
Estou passando por um momento de incerteza,  de desafio, questionamentos. E esse texto apareceu pra mim, como uma resposta, como um acalento. Eu vou persistir, eu vou acreditar e eu vou voltar aqui pra contar. Obrigada Deus, por essa mensagem que eu tanto precisava ler!!! 

Amanda. 

sexta-feira, 20 de março de 2026

Felicidade


Felicidade se acha é em horinhas de descuido. 

[João Guimarães Rosa]
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Hoje, 20 de março, é o Dia Internacional da Felicidade! 🥳

Que fofurinha!!! ♡

sábado, 14 de março de 2026

Pablo Neruda


"Quero apenas cinco coisas...
Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o outono
A terceira é o grave inverno
Em quarto lugar o verão
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser... sem que me olhes.
Abro mão da primavera para que continues me olhando."

_____Pablo Neruda

🤞🤞🤞

Ocasião especial é hoje!!!

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Eu sou assim...


Não tenho grande jeito para ser aquilo que esperam. Nem vontade. Sou mais isto meio desalinhada, meio teimosa, às vezes difícil de explicar até para mim. Não faço versões melhoradas para impressionar, dá demasiado trabalho e depois esqueço-me do papel. Se gostares, tem de ser deste conjunto estranho de coisas boas misturadas com outras nem tanto. Não prometo romantismos de filme nem frases perfeitas no momento certo. Prometo presença, alguma confusão, alguma verdade e zero talento para fingir. Não quero ser melhor do que sou só para ser aceita, porque depois ninguém fica verdadeiramente satisfeito, nem eu, nem tu. Portanto é isto, se vieres, vem pelo que está, não pelo que podia vir a ser. Porque eu, sinceramente, não vou ensaiar para ninguém.

por @saudavelmentelouca

Graça de ser...


O que te peço, Senhor, é a graça de ser. Não te peço sapatos, peço-te caminhos. O gosto dos caminhos recomeçados, com suas surpresas e suas mudanças. Não te peço coisas para segurar, mas que as minhas mãos vazias se entusiasmem na construção da vida. Não te peço que pares o tempo na minha imagem predileta, mas que ensines meus olhos a encarar cada tempo como uma nova oportunidade. Afasta de mim as palavras que servem apenas para evocar cansaços, desânimos, distâncias. Que eu não pense saber já tudo acerca de mim e dos outros. Mesmo quando não posso ou quando não tenho, sei que posso ser, ser simplesmente. É isso que te peço, Senhor: a graça de ser de novo.

["O gosto dos caminhos recomeçados", José Tolentino Mendonça]
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