sexta-feira, 13 de novembro de 2015

LILIAN VEREZA- QUE ESSE DIA CHEGUE...

Que algum dia, não muito distante, eu possa olhar pra trás, pra cada fio descosturado da roupa da minha vida e perceber que, tudo que estava fora de lugar foi vestimenta necessária para tornar-me maior em algum sentido. Que eu me saiba vitoriosa quando consegui valorizar a exaustão que precisei chegar antes de vir à tona. Que eu me saiba grande através das lágrimas e de todo suor que até hoje me escorre alma afora, por tudo que carrego dentro, por tudo que me aflora. Que eu não me culpe por ser tão à flor da pele diante de qualquer sentimento e por acreditar demais em sonhos, mesmo que o sono não me chegue ou mesmo que sequer anoiteça para fazê-los palpáveis. Que algum dia, eu segure firme nas mãos do destino e feche os olhos, como quem confia, com fé, que minhas asas e meu voo sempre dependeram também dos meus medos, pois sem eles eu nunca poderia dar o primeiro passo, tomar o impulso, tomar fôlego e encher o peito só do que me emociona. E que nesse dia, quando o sol beijar minha pele e fazer dourados meus sorrisos, que eu possa chorar de comoção, como o choro de um recém nascido que respira a vida pela primeira vez fora do ventre materno. Talvez seja por isso que quase tudo dentro de mim é assim, meio eterno, meio recomeço, meio renascimento. Tanto as tristezas quanto as alegrias brindam uma sempre visita para me deixar um incremento de que continuo todo dia, inacabada. E que eu não me julgue quando não souber caminho, quando sentir que não sei mais nada, quando der vontade de mudar o rumo abrindo a janela prum novo vento entrar. É porque certas coisas sinto que posso costurar e fazer roupa nova pra alma. E o que ainda bagunça a calma, eu arrumo para recomeçar.

Lilian Vereza

OTIMISMO SEMPRE...

A vida sempre oferece- lhe uma segunda chance: ela é chamada de amanhã.

(Desconheço a autoria)

ENCONTROS E DESPEDIDAS- Milton Nascimento e Fernando Brant ♪ ♪

ENCONTROS E DESPEDIDAS
Compositores: Milton Nascimento, Fernando Brant

Mande notícias do mundo de lá...
Diz quem fica
Me dê um abraço, venha me apertar
Tô chegando
Coisa que gosto é poder partir
Sem ter planos
Melhor ainda é poder voltar
Quando quero

Todos os dias é um vai e vem
A vida se repete na estação
Tem gente que chega pra ficar
Tem gente que vai pra nunca mais
Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai e quer ficar
Tem gente que veio só olhar
Tem gente a sorrir e a chorar
E assim chegar e partir
São só dois lados
Da mesma viagem
O trem que chega
É o mesmo trem da partida
A hora do encontro
É também despedida
A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar
É a vida desse meu lugar
É a vida...
Todos os dias é um vai e vem
A vida se repete na estação
Tem gente que chega pra ficar
Tem gente que vai pra nunca mais
Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai e quer ficar
Tem gente que veio só olhar
Tem gente a sorrir e a chorar
E assim chegar e partir
São só dois lados
Da mesma viagem
O trem que chega
É o mesmo trem da partida
A hora do encontro
É também despedida
A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar
É a vida desse meu lugar
É a vida...
É a vida desse meu lugar
É a vida...
 

AMO ESSA MÚSICA...

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

VANESSA LEONARDI

Já aviso que aqui a casa é ventilada, o coração é quente e as vontades têm a temperatura exata para os sonhos.

Vanessa Leonardi

Johann Wolfgang von Goethe

"Mas onde se deve procurar a liberdade é nos sentimentos. Esses é que são a essência viva da alma."
Johann Wolfgang von Goethe

PORTA- RETRATOS POR FABRÍCIO CARPINEJAR

PORTA-RETRATOS
POR FABRÍCIO CARPINEJAR
Um amigo fez um porta-retratos com nossa foto para colocar em sua escrivaninha.
...
Eu me senti mais do que amigo, mas parte de sua família. Foi o maior presente que ele me ofereceu. Foi uma distinção pessoal.
Nós, abraçados, rindo como meninos, ao alcance de sua manhã. Uma cena que será reprisada pelos seus olhos a cada amanhecer. Lembrará de mim mesmo não lembrando.
Estou no meio de seu escritório, na companhia do pote de canetas, do grampeador, do furador, da tesoura e da cola.
Alçado ao espaço escolar do seu ambiente de trabalho. Porque, apesar de crescidos, seremos eternamente estudantes, com o estojo de aula espalhado pelo mundo adulto.
O porta-retratos é soberano. De aparência minúscula, engana a grandeza. Sua composição expressa a réplica de uma fortaleza erguida entre as nossas urgências e afoitezas.
Repare que é um quadro de mão, a pequena parede levantada com cavalete na mesa, como que apontando que aquelas pessoas detrás do vidro são os eleitos de um coração.
É uma trincheira de nossas ternuras, com imagem da esposa, dos filhos, dos irmãos, dos pais, dos amigos. É o nosso santuário, nossa gruta de protegidos e protetores.
O porta-retratos sinaliza o nosso pertencimento a um lugar. Sem ele, somos turistas em nossas casas. Sem ele, podemos partir a qualquer hora. Sem ele, não temos laços e raízes, não cultivamos a nostalgia um pouco por dia.
Não custa quase nada monetariamente e, ao mesmo tempo, guarda o significado de talismã.
Tanto que nas brigas definitivas e separações, o primeiro a apanhar é o porta-retratos. Não escapa da fúria amorosa, sempre sofrendo quedas e arremessos, sempre arcando com retaliação do papel e amputações da companhia.
Quando nos odiamos, quebramos o espelho. Quando odiamos um familiar, quebramos o porta-retratos. O porta-retratos é o espelho que guardamos para o outro.
Assim como serve para a vingança, também é uma maneira lírica de jamais se separar do passado, prático para a saudade. Igual a um travesseiro, fácil de levar ao escritório ou a hotéis. Mantém o tamanho do bolso de um casaco, caracterizado pela simplicidade e despojamento, perfeito para carregar junto ao corpo.
Por mais que seja anacrônico, por mais que seja rudimentar, por mais que seja artesanal, permanece sendo a galeria mais visível de nossas afeições, com um valor maior do que uma foto de tela no celular.
O porta-retratos é o nosso livro para fotos. Encadernamos alguém em nosso amor.