quarta-feira, 5 de fevereiro de 2025

Damaris Ester Dalmas


As respostas vêm com o tempo, enquanto isso vou enganando minhas perguntas, acertando minha direção ... já que a  vida é esse eterno aprendizado, esse vai e vem de fases boas e difíceis. 
E se as respostas não vierem, que um dia eu possa olhar para trás e dizer sinceramente que já não tenho mais as mesmas perguntas, que tudo seguiu como tinha que ser!!!     

_____Damaris Ester Dalmas

terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

Lindo!!! ❤️

Coisa mais linda de se ler... ♥️
Careço de mais nada não, moça, só me faltava a igreja. Fazia uma falta danada um lugarzinho pra eu prostrar meus joelhos cansados e conversar com Deus. De vera, eu sempre conversei com ele, mas era um capricho meu ter uma capelinha, sabe? Sonhava com um cantinho sossegado, pintado de azul – lá dentro caberia a simplicidade da minha fé, queria guardar Deus um pouquinho pra mim. Sei que ando matutando bestages, mas cada um carrega o sonho que quer – esse era o meu.
Mas sonho é sonho e esse era o meu – minha Igreja azul. E te digo, menina, Deus é compadecido até com gente que cresce e quer Ele parado dentro de uma capela; quando a fé  esmorece, eu adentro meu sonho azul e ele está à minha espera – sorri com bondade e me perdoa por acreditar que ele só esteja ali – compreende a inocência dos adultos.

Via: Escrevências Inventosas

☆▪︎☆▪︎☆


Nem tudo será como a gente quer, e nem todo caminho que pegamos será o que sonhamos. Ás vezes a vida nos leva por estradas que jamais imaginaríamos percorrer. Há curvas inesperadas, desvios forçados, paradas obrigatórias. Mas no fim, de um jeito ou de outro, a gente chega.Ah, a gente chega...✨

Vi esse post, e achei que ele tem a ver comigo, aliás ultimamente tenho recebido recados que preciso...

A.d

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

Precisava ler isso...

Um dia você vai entender tudo isso.
É claro que hoje, diante do que você está sentindo, é difícil saber quando vai ficar tudo bem e se realmente vai ficar tudo bem. Mas a única certeza que temos, é de que no final das contas as coisas se acalmam, a gente começa a conseguir se segurar sozinho e se guiar pra um caminho melhor.

Eu sei que é clichê dizer isso: dói mas passa. E claro que não vai passar de uma hora pra outra. O processo é gradativo e durante esse processo você vai entender o que talvez, não consiga compreender agora. 

Você sente hoje, acorda meio pra baixo, vai seguindo da sua maneira e no seu tempo, tenta fazer algo por você e pra você, e são nessas ações de não soltar a sua mão e se preocupar consigo mesmo, que as dores vão passando.

Você nem percebe, mas quando você se olha com carinho, quando você estende as mãos pra você, quando você diz pra si mesmo: “eu não vou te deixar!” ... que são essas pequenas atitudes de autocuidado que vão te curar. Aos poucos. 

Você sente hoje, amanhã continua sentindo, depois sente um pouco, mês que vem menos ainda. Até você se sentir novamente inteiro e bem. 

E um dia você vai entender tudo isso. Vai compreender que você esteve no lugar que precisava estar, passando por coisas que te fizeram trocar de casca, suportando situações que te fortaleceram, e chegando até onde você vai chegar. 

Um dia você entende que você é a única pessoa de que você precisa pra se curar.

Hoje eu precisava tanto desse texto... Hoje eu não entendo, mas espero de coração, um dia conseguir entender o porquê de tudo, o que queria me mostrar com determinada situação. O que sei é que confio em Ti, Senhor! 

sábado, 1 de fevereiro de 2025

Liana Ferraz

intuição
é quando abro
os ouvidos do coração
para meus próprios conselhos.

Liana Ferraz

Leitura da vida


Mas a leitura da vida não se faz só com os próprios olhos, entram na receita a sensibilidade e os conhecimentos que se têm.

Marina Colasanti

A gente se acostuma...


Eu sei, mas não devia - 
Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.

A crônica Eu sei, mas não devia, publicada pela autora Marina Colasanti (1937) no Jornal do Brasil, em 1972, continua nos cativando até os dias de hoje.