Os doces de Natal
Já se encontra a mesa posta
com sonhos e azevias,
bolo-rei e coscorões
e muitas outras iguarias.
Com os doces vêm afetos,
mas convém não abusar,
porque quem os come a mais
vai pela certa engordar.
Os doces são a ternura
que hoje aqui se partilha
e quem à mesa se senta
não pode ser uma ilha.
Broas, fatias douradas
são a melhor companhia
para dar aos versos rimas
da mais doce poesia.
E até o avô João,
que costuma ter cautela,
vai abrir uma exceção
com bolinhos de canela.
O menino do presépio
doces não pode comer,
mas anuncia a doçura
que nos ajuda a viver.
E há um menino triste
que sofre de diabetes
e sabe que o açúcar
tem mil e um diabretes.
José Jorge Letria. In,"O Livro de Natal". Ilustração Soosh
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