Tudo passa. Não como consolo fácil, mas como lei silenciosa da vida. A dor que hoje pesa no peito, o cansaço que parece não ter fim, a alegria que julgamos eterna, tudo segue seu curso, sem pedir licença.
O tempo não apaga o que fomos, mas transforma o modo como carregamos cada experiência.
Há noites longas em que acreditamos que a escuridão venceu. No entanto, o amanhecer não pergunta se estamos prontos. Ele chega. Sempre chega.
Um novo dia não traz respostas prontas, mas oferece a possibilidade de recomeço, mesmo que seja apenas respirar um pouco melhor, levantar com mais cuidado, continuar apesar de tudo.
A impermanência não diminui a dor, mas dá sentido à resistência. Se tudo passa, também passa o que fere.
E se um novo dia sempre vem, é porque a vida insiste em seguir, nos convidando em silêncio, a seguir com ela.
Não por força, mas por fidelidade ao próprio existir.
Dulce Miller
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