"Querido professor,
Antes de começares mais um ano letivo, há uma coisa que nós, os teus alunos, precisamos de te dizer. Mesmo que nem sempre saibamos como.
Sabemos que não vais ter apenas uma turma.
Vais ter mundos inteiros à tua frente.
Cada um com os seus medos, as suas manias, as suas perguntas, os seus silêncios…
Cada um a precisar de ti de uma maneira diferente.
E, mesmo assim, vais tentar chegar a todos.
Sabemos que haverá dias em que vais chegar a casa a duvidar de ti.
A pensar se fizeste bem.
Se foste justo.
Se conseguiste chegar àquele aluno.
Se fizeste alguma diferença.
E, no dia seguinte, vais voltar. Mesmo cansado, vais sorrir.
E esse sorriso, acredita, pode mudar o dia de um de nós.
Sabemos que vais corrigir trabalhos e testes até tarde.
Que vais preparar aulas quando já não te apetece.
Que vais responder a mensagens fora de horas.
Que vais ouvir críticas que não mereces e, muitas vezes, receber menos reconhecimento do que aquele que merecias.
E vais continuar.
Também sabemos que nem sempre te vamos facilitar a vida.
Vamos testar limites.
Vamos responder torto.
Vamos fazer barulho.
Vamos distrair-nos.
Vamos achar-te injusto.
Ou simplesmente não prestar atenção à aula.
Mas, muitas vezes, por baixo de tudo isso, pode estar um pedido que não sabemos fazer:
“Não desistas de mim.”
Às vezes não vamos saber mostrar. Mas precisamos que continues a acreditar em nós.
Porque tu não és “só o professor”.
És aquela pessoa de quem podemos lembrar-nos muitos anos depois.
És uma voz que fica na nossa cabeça.
És alguém que pode fazer-nos acreditar que somos capazes.
E, às vezes, és colo, mesmo quando estás a puxar por nós.
Por isso, obrigada.
Por ficares.
Por voltares.
Por te importares.
Mesmo nos dias em que ninguém te agradece.
Hoje, agradecemos nós.
Esta carta é para ti, professor.
Para o que ensinas.
Mas, sobretudo, para aquilo que deixas em cada criança que passa por ti."
Marta Rodrigues
Ilustração de Evangelina Prieto
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